20061026

Homem Surreal

Eu me alimento do exagero
Eu danço com o exagero
Oras, o exagero sou eu

Exagerado eu sou,
pois surreal eu nasci
Não vejo adjetivos
Só declamo superlatívos

Não gosto da avareza
mas não desperdiço palavras
meu exagero não é supérfluo
ele é apenas a realidade minha
que é fora do usual

Cada imagem torta, esquisita é convertida
em um quadro torto pregado na parede.
É a forma que eu digo olá!

O meu exagero não é arrogante
é apenas estado de espírito. Exagero é
A forma que eu procuro de expressar sinceramente que "amo você",
pois o que são palavras senão uma tentativa muca de expressar o que se sente?

20061021

Hoje descobri
que nada sou sem tí
infelizmente esqueci
que de você, não posso gostar
já que quase me matou de tanto desprezar
tanto que finalmente partí
fui embora para sempre

20061001

...

Olá você,
tantas vezes vil,
que tantas vezes viu
mentiu e omitiu
reflete a raiva ferida
ainda em mim contida
e com sorrisos, foge da verdade
que destroi qualquer realidade

20060924

somente só, só somente

Eu só queria...
um cabelo para meus dedos entrelaçar
ouvidos para belos elogios sussurar
uma bochecha vermelha para beijar
uma boca para conversar
um pescoço para morder
ombro para tocar
mão para segurar
uma barriga para uma das mãos deslizar
uma lombar para encostar
nádegas para poder me encostar
um par de pernas para acareciar
pés para massagear
e o infinito para amar

20060914

Sim... eu sei

Eu sei que sempre vou sofrer
a intagível esperança em te ter
E nela minha vida vou perder
porque nunca conseguirei te esquecer

Eu sei que vai doer
o gélido pranto ao te ver
Outro com seus abraços te entrelaçar e ser
o alvo predileto de seus sorrisos
e ser o responsavel pelos teus pedidos

20060901

Melancolíngua

Vivo a ser, embora nunca viva
E existo perante a minha melancolia
Visto-me de mim mesmo, ao mesmo
tempo querendo me dispir.
Escrevo eu aqui, pois sou o que sou,
sem a minha tristeza não há razão
para tal, viro-me um qualquer,
que por mais que eu queira ser,
nunca poderia exercer
tal ser sem nem ter, ou ver,
a minha renascença pela mediocridade.


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Why to look just like him,
still never be just like him?
Desperate to be
desperate to see
desperate,
to just have what he has,
to touch what he touches
kiss what he kisses
it hurts so much to be just like him,
still never be just like him

20060806

Prometo

Por toda minha vida serei atento
em seus passos e movimentos
pois o que arde nã0 é fogo de dentro,
já que fogo acende muito lento
o que sinto, na verdade, é muito mais
mais calor, mais chama, a paz que você me traz.

20060731

Era uma vez

Num pequeno mundo sem centro, o menino de olhos verdes. O pequeno mundo, para ele, era grande. Grande, pois seus olhos eram grandes. Caminhou duzias de dias pelo pequeno planeta, muito embora que com apenas um punhado deles, já teria dado a volta por ele inteiro. Até que um dia parou e sentou-se debaixo de uma árvore. A árvore era situada perto de um vilarejo e seu rio principal. Quando se sentou, conversou com um dos cidadões mais idosos que passava por lá e contou-lhe sua história. O velho lhe perguntou "Ora, por que não para em um lugar?". O menino olha para baixo, passa a mão sobre o gramado e espera um pouco. Uma maçã cai sobre sua cabeça e ele rí. "É por isso!"

20060720

Como você se chama?

Comecei a escutar, pois estava eu omisso,
apenas após ouvir o seu apelido,
fiquei triste, com o coração partido.
Não que algo maldoso foi dito,
talvez, talvez tenha sido por isso.

Quando o seu nome é pronunciado,
derrete na boca como mel,
corta pelo ar até o ouvido
e cria imagens de amor e estrelhas no céu.

Gostaria de sequestrar seu nome
e abandonar seu apelido, deixando-o para o resto.
Quero morrer numa hístoria de amor sem fim
enquanto os outros vivem numa eterna comédia chinfrim.

20060707

escritor pé de chinelo

Ele sentou-se a mesa, começou a escrever. Não sabia o que queria escrever. Apenas escreveu. Com sua caneta entre seus dedos, reclinou-se e a mordeu com seus dentes. Sujos, pois estava numa rotina de apenas sair de sua cadeira para café e expelir suas toxinas. Voltou para sua folha sulfite, cujas linhas são criadas pelo próprio autor com sua dupla. O lápis e a régua. Ao escrever notou, não, relembrou. Sua caligrafia não mudou nada desde seus 10 anos, quando realmente começou a escrever. Continuava feia como sempre, mas talvez com a conformidade de sua maturação de vida, ela se tornava mais legível que antigamente. Escreveu, escreveu e escreveu. Após duas páginas cheias de palavras, espaços e pontos, piscou os olhos. Na verdade, não piscou, fechou seus olhos por alguns segundos. Talvez o cansaço começasse a bater. Talvez não. Enfim, ao abrir os olhos, se deparou de novo com a inegável situação em que se encontrava e que tentava fugir. Seu pequeno e fétido quarto, amontoado de papel, produzira apenas um par de páginas com algum valor e que estava prestes a rasgá-las. Escreveu por dois dias sem fim, mas na realidade não escreveu nada. Notava-se isso pela quantidade de lixo que se encontrava na cesta logo ao lado da cadeira. Puxando o cabelo para trás e alisando-o algumas vezes, tentou respirar. Engasgou. Não se sabe como. Engasgou. Algumas gotas saíram de sua boca sobre o papel desvirginado, desfigurando as palavras nas quais as gotas caíam. Ao observar essa devastação de seu texto, encostou sua mão sobre seu olho direito e deixou-a escorrer sobre seu rosto. Coçou levemente seu queixo e em um breve instante de arrogância, se sentiu fracassado sobre seu próprio trabalho. Sem desistir ainda, guardou sua caneta em seu estojo de Mickey. Era uma das poucas boas memórias de criança que ainda restavam em sua vida. Levantou-se da cadeira e estendeu seus braços, dobrou-os e entrelaçou os dedos. Virou-se e foi deitar. Sua falta de inspiração o comandou a sonhar.

20060616

buttercup

If there's anything that you want,
If there's anything I can do,
Just call on me and I'll send it along
With love from me to you.
From me, to you.

20060612

Aniversário

Sentados a mesa. Minha mão segurava uma laranja. A balançava em cima da mesa. Meus olhos fixavam-na, não se destra iam com a luz da vela enfiada no bolo. Memórias pairavam em minha mente. Lembranças da noite anterior. Olhos da cor dos longos cachos. Negros. Multidão em meio ao escuro. Desconhecidos, cujos nomes conheço. Confusão cor-de-rosa. Fixei novamente em seus olhos. O tempo passou. Veio a despedida. A rejeição estava clara, mas o sentimento foi claro. Olhos que se encontraram, abraço forte, pareceu despedida. Aperto no braço. Adeus. A Deus. Olhos fecharam. De volta a mesa. A luz havia sido apagada, inconscientemente, por meu sopro. Cantos ao meu redor, que não dei menor ouvidos. Encarei-os. Sorri. Enfiei minha cabeça na velocidade da luz no bolo.

20060608

não precisar

Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você
precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.

Percebe também que aquela
pessoa que você ama (ou acha que ama)
e que não quer nada com você, definitivamente,
não é o homem ou a mulher da sua vida.

Você aprende a gostar de você,
a cuidar de você e, principalmente,
a gostar de quem também gosta de você.

O segredo é não correr atrás
das borboletas...

É cuidar do jardim para que
elas venham até você.

No final das contas, você vai achar
não quem você estava procurando,
mas quem estava procurando por você!"

20060605

se todas fossem iguais, tambem não teria graça

Vai tua vida, teu caminho é de paz e amor
A tua vida é uma linda canção de amor

Abre os teus braços e canta a última esperança
A esperança divina de amar em paz

Se todos fossem iguais a você
Que maravilha viver
Uma canção pelo ar, uma mulher a cantar
Uma cidade a cantar, a sorrir, a cantar, a pedir
A beleza da amar como o sol, como a flor, como a luz
Amar sem mentir, nem sofrer.

Existiria verdade, verdade que ninguém vê
Se todos fossem no mundo iguais a você.

20060529

Erros numa folha de papel

escrevo, erro
amasso, jogo fora
nova folha eu pego
e novos erros
eu cometo e
novos amassos
mais escassos
são feitos
cada vez menos feios.